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A prisão de viver no desejo do outro

  • Foto do escritor: Gabriela Lemgruber
    Gabriela Lemgruber
  • 26 de mai. de 2025
  • 1 min de leitura


Você já sentiu que vive tentando agradar alguém, buscando ser aquilo que o outro espera de você? Já percebeu que, muitas vezes, parece que sua vida gira em torno de conquistar amor, reconhecimento ou aprovação? Na psicanalise, essa sensação tem um nome: viver no desejo do Outro.


Para Lacan, o desejo não nasce do nada. Ele se forma a partir de nossa relação com o outro - principalmente com figurar importantes na nossa historia, como pais, cuidadores, parceiros. Desde cedo, aprendemos a nos perguntar: o que o outro quer de mim? E muitas vezes, passamos a viver tentando ser a resposta para essa pergunta.


O problema é, que, ao fazer isso, podemos perder de nós mesmos. Quando vivemos só para agradar, para sermos aquilo que o outro deseja, deixamos de escutar o que nós realmente queremos. Nos transformamos quase que em um "objeto" para o outro, e não em sujeitos com desejo próprio.


Essa é a prisão: viver a partir do desejo do outro é abrir mão do próprio desejo. É deixar de ocupar um lugar de protagonista da própria história, para viver no papel que o outro nos deu - muitas vezes sem sequer perceber.


Sair dessa prisão não é simples, mas é possível. A psicanalise não oferece uma receita pronta, mas propõe uma travessia: a de olhar para o próprio desejo, reconhecer o que é seu e o que é do outro, e fazer escolhas que estejam conectadas com quem você é de verdade - e não com o que espera que você seja.

 
 
 

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