Vagão - 8 a.m.
- Gabriela Lemgruber
- 8 de jan.
- 1 min de leitura
Gente de todo tipo,
um lendo um livro que promete sentido,
outro jogando pra esquecer que o dia existe.
Uns se espreitam nas telas alheias,
como se ali houvesse a verdade do universo.
Tem um que escuta música sem fone —um missionário do caos sonoro.
Outros olham fixo pra frente,
como se esperassem que o infinito respondesse.
Há quem olhe o além,
e há quem já esteja meio lá.
De repente, pumm!
um sopro do submundo.
Um aviso de que a matéria ainda governa o espírito.
O ar pesa, o tempo para — respirar vira ato filosófico.
As portas se abrem,
“Dá licença, com licença, dá uma licencinha?”
E a humanidade se empurra,
ombro com ombro,
alma com alma,
num balé sem coreografia,
onde ninguém sabe pra onde vai,
mas todo mundo quer chegar primeiro.




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